
A foto ao lado é de um rádio pertencente a uma vizinha minha,considero ela como minha segunda mãe. Ele ainda funciona perfeitamente, bons tempos em que só tínhamos o rádio para acompanhar os acontecimentos no mundo, a maioria deles era movido a acumulador, uma espécie de bateria de carro que necessitava de carga para funcionar. Existia uma loja aqui em São Mateus do Sul que fazia isso, recarregava o ACUMULADOR, isso levava uns três a quatro dias para recarregar,e neste ínterim ficávamos sem ouvir o nosso companheiro das noites " O RÁDIO". Lembro ainda que depois que meu pai chegava com acumulador, ligávamos o rádio e ficávamos todos ao redor do mesmo para escutar muito bons programas naquela época (década de 60), quando ouvíamos o
Grande Rodeio CORINGA, pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre-RS.Graças a internet, conheça um pouco a história deste programa.
PROGRAMA GRANDE RODEIO CORINGA
Rádio: Farroupilha
Duração: 1954 - 1969
Apresentadores: Paixão Cortes, Darcy Fagundes, Dimas Costa e Luís Menezes
Foi criado em 1954 pelo diretor da Rádio Farroupilha, de Porto Alegre-RS, na época, Otávio Augusto Vampré e também pelo tradicionalista Paixão Cortes. Apresentado por Paixão Cortes, o Grande Rodeio Coringa foi um dos primeiros programas de auditório no rádio a abordar a temática gauchesca, obtendo grande sucesso de público em todo o Estado, sendo até hoje lembrado como o programa de maior audiência naquela época. Era apresentado aos domingos, das 20h às 22h. Em sua estrutura, o programa era dividido em invernadas, isto é, tinha uma parte de trova, uma parte de humorismo, uma parte de declamação e uma para a Orquestra Sinfônica Farroupilha, regida pelo conhecido e renomado maestro Salvador Campanella. Já o quadro de humor era apresentado pelos artistas Valter Broda e Pinguinho. É importante lembrar que no início o programa ainda não possuía o nome pelo qual ficou conhecido. Em 1955, a Rádio Farroupilha contratou Darcy Fagundes, que deu a ideia do nome, utilizando a marca de calça de brim "Coringa", que era a patrocinadora do programa.
O Grande Rodeio Coringa contava com a presença de um auditório, sendo que as pessoas vinham de todo o Estado para conhecer e participar do programa. No entanto, era preciso que elas passassem por um teste de talento, mostrando assim condições para aparecer em público. Para se ter uma ideia do sucesso do Rodeio Coringa e sua repercussão, muitas famílias que possuíam rádio na Campanha recebiam as visitas de amigos e vizinhos. Muitos vinham de carreta ou a cavalo para ouvir os músicos e as atrações gauchescas que Darcy Fagundes apresentava. Aliás, a voz de Darcy cativou ouvintes não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em lugares distantes como o Estado do Maranhão. Durante o período em que esteve no ar, o Grande Rodeio Coringa contou com algumas trocas de apresentadores. Paixão Cortes foi para a Rádio Gaúcha e, com a saída dele, Darcy Fagundes, juntamente com o poeta gaúcho Dimas Costa, passou a apresentar o programa, sendo substituído posteriormente por Luis Menezes, que ficou ao lado de Darcy até o final do programa. Grandes artistas gaúchos iniciaram suas carreiras no programa, entre eles, Teixeirinha, Mary Terezinha, o Conjunto Os Mirins, Gaúcho da Fronteira, o Conjunto Os Serranos e os Três Xirus.
Darcy Fagundes nasceu em 1925, em Uruguaiana-RS, e era o primogênito de uma família de 11 irmãos, entre eles, a apresentador Antonio Augusto Fagundes, o Nico. A partir do programa, Darcy ficou conhecido pela alcunha de "o gaúcho vaqueano do rádio", slogan criado por ele mesmo. Apresentou também o programa dominical Invernada Gaúcha, na TVE/RS, e Madrugada Gaúcha, na Rádio Gaúcha. Faleceu em 22 de junho de 1984, vitimado pelo câncer, sendo até hoje lembrado como um grande incentivador e cultivador da música e da cultura rio-grandense.
Esta matéria foi elaborada pelo Núcleo de Pesquisa Histórica Benedito Saldanha e divulgada no jornal Expresso das Letras, ref. Outubro/2005, dirigido pelo nosso confrade Benedito Saldanha
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