sexta-feira, 27 de julho de 2018

Caminho da Fe IV-Casa Branca a Vargem Grande do Sul

Olá amigos.

Segundo dia. Da cidade de Casa Branca até Vargem Grande do Sul. Vou comentar alguma coisa sobre Casa Branca. Na fachada da Paróquia Santuário Nossa Senhora do Desterro, podemos observar um grande mosaico, onde retrata a difícil peregrinação de José e Maria fugindo da fúria doentia de Heródes, quando eles atravessavam o deserto tentando proteger a vida de Jesus ainda bebê.
Ficamos hospedado como está no livro na sua pg. 55, num local chamado solo sagrado, o Santuário de Nossa Senhora do Desterro, 389 fone 019 36711143 contato com Charlene (reservar antecipadamente), local super aconchegante, lembrando um alojamento para peregrinos, muita limpeza, muito silencio, saborosa comida, ótimo atendimento. Na frente da igreja existe uma fonte de água de poço artesiano a qual pudemos abastecer nossas garrafinhas para a caminhada do dia seguinte.

CASA BRANCA SERVIÇOS: www.casabranca.sp.gov.br








quinta-feira, 26 de julho de 2018

Caminho da Fé III-Tambaú a Casa Branca


Olá amigos.

 Chegamos a cidade de TAMBAÚ SP  no dia 02.07.18,
 ficamos hospedado no Hotel Tarzan na Praça Padre Donizete, 8, fone 019 36734039 contato com Cintia. A cidade de Tambaú foi onde viveu e trabalhou o Padre Donizetti, considerado um homem santo, conversando com moradores, muitos esperam a canonização do mesmo, e a sala de milagres recebe a cada dia mais agradecimentos pelas graças alcançadas.A cidade é conhecida pelas imensas chaminés de olarias. As pessoas tem grande apreço pelos peregrinos, e cada um que nós encontramos pedem preces, desejam boa viagem. O caminho está bem sinalizado com setas amarelas e placas. Até Casa Branca, próxima cidade, serão 22 km de terra e 5 km em pavimento. Acesse TAMBAÚ serviços. www.tambau.sp.gov.br 

COMO CONHECI O MEU GRUPO DE CAMINHADA.
Na verdade o meu planejamento para fazer o Caminho da Fé seria no mês de setembro de 2018 e a chegada na Basílica no dia 12 de outubro. Foi a luz do Espírito Santo que iluminou o meu caminho e tive a felicidade de obter o contato de um dos integrantes do grupo de caminhantes e agora falo desses meus grandes amigos,Fernando, Mário, Odair, Vilmar e Valdemir, eles são as grandes pessoas os quais revestidos de imensa bondade, me aceitaram no grupo mesmo não me conhecendo, por isso eu afirmo, as coisas vão acontecendo na vida da gente quase que por encanto, agradeço aqui de coração por eles me aceitarem no grupo para juntos fazermos essa imensa peregrinação, eu só cresci em conhecimento, em espiritualidade, em amizade, em reconhecimento e principalmente agradeço por ter mais cinco amigos em minha vida,  sempre lembrarei deles e de seus familiares nas minhas orações pedindo a  benção do menino Jesus e Nossa Senhora Aparecida que sempre os proteja, Amém.
Todos sabíamos da grande empreitada que estava por iniciar no dia 3, todos nós treinamos e nos preparamos muito, mas como em tudo na vida, a hora da verdade é quando estamos executando um planejamento o qual foi bem elaborado e  estudado.
Dentre as dificuldades do caminho,  no primeiro dia, muita poeira, caminhamos por lavouras de cana de açúcar onde o transito de caminhões transportando cana é muito intenso.
Nesse dia saímos as 07:20 hrs da manhã de Tambaú, caminhamos até Casa Branca, fizemos 28,4 km em 06:46 hrs.

O livro Caminho da Fé para ciclistas e caminhantes de autoria dos Srs. Antonio Olinto e Rafaela Asprino, foi utilizado como referência bibliográfica, o qual poderá ser adquirido através da internet. Quero aqui registrar meus cumprimentos aos autores pela belíssima obra a respeito do assunto, o livro foi um instrumento de grande valia para o sucesso de nossa caminhada, com informações muito úteis e precisas, quilometragem, altimetria e dicas para uma excelente caminhada. Parabéns.



























Caminho da Fé II

Olá amigos.

O Caminho da Fé ( Brasil ), inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio e infraestrutura.
O Caminho é composto por cerca de 990 Km, dos quais aproximadamente 500 km, atravessam a Serra da Mantiqueira por estradas vicinais, trilhas, bosques e asfalto, proporcionando momentos de reflexão e fé, saúde física e psicológica e integração do homem com a natureza.
Seguindo sempre as setas amarelas, o peregrino vai reforçando sua fé observando a natureza privilegiada, superando as dificuldades do Caminho que é a síntese da própria vida.
Aprende que o pouco que necessita cabe na mochila e vai despojando-se do supérfluo.
Exercitando a capacidade de ser humilde, compreenderá a simplicidade das pousadas e das refeições. Em cada parada, estará contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades e propiciando a integração cultural de seus habitantes com a dos peregrinos oriundo de todas as regiões do Brasil e de diferentes partes do mundo. 
Extraído Guia do Peregrino - O Caminho da Fé.

Caminho da Fé I









Olá amigos do meu blog.

Então, estou continuando a escrever sobre o que postei no meu blog no dia 27.06.18  da minha participação  no Caminho da Fé.

1- os  motivos que me levaram a fazer o caminho, são inúmeros , mas dentre eles, é que  sempre pratiquei exercício físico para manter a forma e cuidar da minha saúde, mas após a minha aposentadoria no ano de 2001 eu pensei em aprimorar ainda mais os minhas práticas esportivas mas acabei me acomodando, então no final do ano de 2017 assistindo uma reportagem em um canal de tv em que  entrevistavam pessoas que estavam fazendo o Caminho da Fé em São Paulo, então eu decide fazer e como meta para o ano de 2018 comecei a treinar dentro de uma sistemática e continuidade, esse foi um dos objetivos, TREINAR FOCADO NUM OBJETIVO COMUM, os demais objetivos foram: fé, agradecimento, conhecer novas cidades, fazer novas amizades, orar e ver se aquilo que planejei foi correto e suficiente, saber o que o corpo sentiria em caminhar 420 km em 17 dias, carregando  uma mochila com 10./. do meu peso ( 7 kg  ou mais em certas horas do dia).

2-eu iniciei os treinamentos no dia 9.1.18, e tive o apoio e orientações das minhas duas filhas, uma fisioterapeuta e outra professora de educação física e  de toda a minha família para treinar e  realizar a caminhada. Comprei um tênis apropriado (de marca) e isso vou relatar no item abaixo, (materiais e equipamentos), fizemos uma planilha, iniciando com 5 km diário, durante 6 dias alternados, com descanso nos finais de semana, no sétimo dia aumentei para 7,5 km, no décimo terceiro dia mais 2,5 km e assim sucessivamente, até chegar em 25 km por dia. Na sequência fizemos uma outra planilha, quando comecei a caminhar todos os dias, 15 km num dia e 10 km no outro, isso durante um mês, inclusive sábado, domingo, com chuva com geada etc. Na sequencia, comecei treinar em subidas. O maior número de caminhadas eu realizei na minha cidade, São Mateus do Sul, mas caminhei em Curitiba (nas ruas e parques), nas praias (areia e montanhas), e finalmente o  treinamento com mochila com peso de 6 kg, disso eu não tenho controle de quantos dias treinei aliás, acho que treinei pouco, faltou tempo. Do dia 9.1.18 até   o dia 28.6.18 eu realizei próximo de 90 caminhadas perfazendo 1.040 km, isso foi determinante para o sucesso do meu desafio, por isso, se prepare para a vida, estejais preparado um dia chega para você praticar aquilo que treinou e aí você estará pronto.

3-equipamentos.
 Todo projeto na área esportiva, seja ele de pequenas ou grandes dificuldades, de curtas ou longas distâncias, para que tenhamos sucesso, necessitamos sem dúvida de material e equipamentos de qualidade, eu não pensava assim, achando que era coisa insignificante mas não, após a minha caminhada e acredito agora ainda mais, que eles fizeram a diferença, Se você quer realizar provas duras, compre equipamento de qualidade, hoje existem no mercado materiais para tudo o que imaginarmos mas, AQUI um parenteses, siga as recomendações dos fornecedores, mas PRINCIPALMENTE daqueles que já praticam esporte igual aquele que você irá fazer. Pesquise na internet, fale com os amigos, e compre antecipadamente os materiais para suas jornadas esportiva e aqui falo sobre CAMINHADAS. O calçado (tênis ou bota),  precisam estar adaptado aos seus pés, JAMAIS vá fazer longas caminhadas com calçado novo. Vai depender muito de cada um, mas comentam que o calçado precisa de pelo menos 60 km para ficar amaciado nos pés, então, tome muito cuidado com isso, porque o seus pés, esses sim precisam de cuidados em primeiro lugar, senão, senão. Não vou fazer menção a marca de tênis ou bota, tamanho ou marca de mochila, pois isso você encontrará na internet e seus amigos irão orientá-lo adequadamente, você deverá comprar dentre as marcas e tamanhos recomendados, aquilo que melhor se adapte ao seu corpo e ao seu orçamento é claro, lembre-se o barato sai caro.
-alimentação. 
É muito importante que você consulte uma nutricionista, eu fiz isso e recomendo, porém cada um deverá fazer uma alimentação rica em proteínas, carboidratos etc, isso é básico, quando você for iniciar os seus treinamentos o seu corpo começará a FALAR com você e aí você poderá saber o que está faltando. As proteínas, vitaminas, carboidratos industrializados são muito bem vindos, mas a alimentação boa mesma é aquela que a mamãe fazia, feijão, arroz, macarrão, carnes vermelhas, mandioca, batata doce, muita salada, frutas, sucos naturais e MUITÍSSIMA ÁGUA, vai ai uma dica sobre a água e que foi recomendação da minha nutricionista; antes de ir treinar, pese seu corpo, ao retornar pese novamente, a diferença que der (a menos), multiplique por 1,5, e o resultado consuma  em  água durante aproximadamente duas horas, exemplo: se você perdeu 0,500 kg na caminhada, tome 750 ml de água após a caminhada e assim sucessivamente.
-o que levar na mochila durante as provas.
Para não ser repetitivo, pois existe várias postagens na internet que são interessantes, vou relacionar aquilo que é recomendado e o que realmente levei.  
Roupa:
-3 camisetas de manga longa, preferencialmente aquelas que filtram os raios solares e secam rápido        após a lavagem, (levei três);
-2 camisetas de manga curta, lavagem e secagem rápida, (levei 1, errei);
-2 calças de tactel, fácil de lavar e secam rápido, ( levei 1, errei);
-2 cuecas, (levei 3 não precisei de todas);
-1 blusa de moleton  (levei 1), se tiver frio e tiver como secar rápido, senão leve 2;
-3 pares de meias próprias para caminhada (sem costura), 
-1 par de meia de pressão (depende de cada um, levei, usei e gostei);
-1 boné ou chapéu com proteção para o pescoço, isso é  imprescindível, (levei chapéu);
-1 bandana (leve ajuda a filtrar a poeira, protege do sol e do frio) o preço é acessível;
1 par de tênis ou bota ;
-1 par de chinelo, aqui um comentário, leve uma papete servirá para descansar o pé a noite, usar no      banho, caso o outro calçado de caminhar fizer muitas bolhas,  poderá usar-la para caminhar, usando  com meia apropriada, senão leve um chinelo de dedos, tipo havaiana; 
-1 mochila para longas caminhadas, com capa;
-1 capa de chuva, tem pessoas que levam guarda chuva ou uma jaqueta impermeável (levei capa);
-1 óculos escuro;
-1 cajado, poderá ser comprado em lojas especializadas ou um de bambú em Águas da Prata, comprei os dois, me adaptei mais com o de bambú, fica a critério de cada um;
- protetor solar, vaselina, pomada que contém canfora, uma agulha com fio para furar as bolhas, iodo ou mertiolate, comprimidos analgésicos e anti-inflamatórios, creme de fenergam ou emistin, band aid, micropore ou esparadrapo, hipoglós, um pacote de lenços umedecidos (uso excessivo de papel higiênico as vezes de má qualidade,  pode irritar), um canivete para descascar frutas, um quite de higiene pessoal, e os medicamentos exclusivos de cada um.   

4-para realizar provas de longas distâncias precisamos de muitas coisas, mas o incentivo da família é de suma importância isso ajuda em muito. Os amigos e conhecidos na maioria das vezes ficam neutros no seu desafio, tem aqueles que nos apoiam, nos levam para cima, acreditam em você (a minoria) e tem aqueles que chamam você de louco, fora da casinha, pra que caminhar tudo isso melhor é ficar sentado na frente da tv comendo porcarias etc., mas deixa pra lá, cada um cada um. Nos meus treinamentos enfrentei tudo isso, pessoas que me viam passar com uma mochila nas costas, até de CATADOR DE LATINHAS fui chamado um dia, de andarilho ao invés de peregrino. Ataques de cachorro foram inúmeros por isso o CAJADO além de ser a sua terceira perna nas caminhadas em terrenos irregulares, ajuda a proteger a sua coluna e também serve para se defender dos animais perigosos. As pessoas não estão acostumadas e quando alguém de mochila nas costas, um cajado na mão, chapéu e roupas adequadas passam em frente a sua residência quase sempre quando o dia está amanhecendo então, nos meus treinamentos e vi muitos olhares de admiração outros de desconfiança, outros de gozação, mas isso faz parte do nosso mundo diversificado e com pessoas pensando de maneira diferente.
Na próxima postagem, registrarei com mais detalhes a caminhada na prática.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Grande Desafio

Olá amigos e visitantes do meu blog.

Primeiramente mil desculpas pela falta de publicação no meu blog, pois desde outubro de 2017 que não escrevo nele, motivos os mais diversos mas não cabe aqui justificar, então vamos lá.
Hoje trago para os amigos o meu grande desafio o qual fiz para comigo mesmo desde dezembro de 2017 quando então decidi fazer uma longa caminhada em nosso pais. Aqui deixarei algumas linhas escritas para despertar a curiosidade principalmente daqueles que gostam de uma vida saudável, de desafios, de metas cumpridas, de testar os seus limites etc. Então, escreverei sobre: 

1- quais os principais motivos que me levaram a fazer esta caminhada:

2- escreverei sobre todos os treinamentos: distâncias, velocidade, calorias perdidas, os locais, as dificuldades (trechos, animais, pessoas curiosas, etc.):

3-Preparação com equipamentos, alimentação, principalmente o que levar na mochila;

4-Os incentivos da família, e aqueles que só criticam, fazem gozação, chamam você de fora da casinha:

5-Alimentação;

6-As curiosidades;

7-Preparação para a viagem, as pessoas que irão junto, passagem, etc;

8-Finalmente irei fazer uma matéria especial sobre a minha caminhada a qual será nos Caminhos da Fé, saindo de Tambaú SP até a Basílica de Nossa Senhora Aparecida em São Paulo, percorrendo 430 km em aproximadamente 17 dias ou mais. Quero tirar um montão de fotos e procurar identificar os locais, vou anotar tudo e publicar o que é verdadeiro e o que é mito nestes desafios, e que   vocês tenham oportunidade de conhecer e é claro, um dia fazer este caminho, ou para aqueles que  já enfrentaram desafios desta magnitude. 

Então até....

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Minha Mãe

Agora quatro horas trinta e oito minutos e trinta e oito segundos do dia vinte e seis de setembro de dois mil e dezessete. Estou aqui sentado em frente ao computador digitando os meus sentimentos e aquilo que ainda está muito vivo em minha memória, para expressar o que eu aqui chamo de vazio da perda de uma mãe. Prometi não chorar mas meus olhos estão marejados pelas lágrimas. Quero aqui falar da Dna Ely da Lila ou carinhosamente como nós chamávamos de Vó Li. Ontem nós, filhos, filhas, netos, netas, bisneto, bisnetas, noras, genros, parentes, amigos, amigas e conhecidos em geral, conduzimos ela para a sua, digamos assim última morada aqui nesta terra.
                A dor desta despedida é indescritível, só para quem passa é que sabe o quanto ela é marcante. Muito bem, quero falar:
                MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS SÃO OS QUE OUVEM A PALAVRA DE DEUS E A PÕEM EM PRÁTICA  Lc 8,21
                A experiência de vida do idoso é um livro de sabedoria – Beth Guedes
                Vou chama-la aqui  de Dna Lila, vou relatar  aquilo que neste momento, estou sentindo e estou lembrando, tenho quase a certeza de que as minhas irmãs são consoantes com o que vou aqui registrar. Foram   89 anos, 2 meses e 14 dias que a Sra ficou aqui no mundo terreno e eu  só tenho a agradecer a Sra por ter me trazido ao mundo e ter me dado a oportunidade de ser um de  seus filhos.  Quanta coisa me ensinou, quanto mistério da sua vida guardou para si, e isso eu sei. Nunca vi a Sra levantar a voz, mesmo quando tinha vontade de fazer isso, me chamava de FILHÃO, vejam só se eu merecia isso, é só o coração gigante de uma mãe para chamar a gente assim. Nunca vi a Sra se queixar de nada, mesmo descobrindo que teve uma infância digamos assim, quase que macabra, pois logo aos três anos de vida perdeu sua mãe, imaginem vocês se criarem sem mãe, e aqui relato que isso sempre foi um mistério para nós, um buraco negro. Jamais encenou para nós em momento algum este lado de não ter tido uma mãe, e foi sempre a MAEZONA ELI, não entendo isso, nunca teve mãe e foi uma mãe fantástica para nós  quatro filhos que trouxe ao mundo, e com muito sacrifício, dedicação, amor, carinho, entrega   nos criou. Foi muito pouco a escola, e tinha um caligrafia de dar inveja a qualquer um, como pode isso? Quando eu lia as receitas que escrevia em folhas soltas de caderno, que letra meu Deus. A Sra nunca foi dormir antes que eu chegasse da faculdade, sempre me dizia VADINHO ou simplesmente DINHO como ela carinhosamente me chamava; deixei comida para você lá na cozinha, não vá dormir sem se alimentar. Lembro um dia quando ainda garotinho e meu pai me levou no hospital para visita-la, aliás aqui um parêntese, perdi as contas de quantas vezes a minha mãe ficou hospitalizada; aí ela me olhou e viu que eu estava mal vestido, pois tivemos uma infância pobre, mas nos orgulhamos disso e dos nosso pais;  ela simplesmente virou o rosto para o lado,  começou a chorar e hoje eu estou aqui chorando por entender o quanto naquele momento ela estava sofrendo por não estar em casa cuidado de mim, me vestindo, me agasalhando, me alimentando, como sempre ela fez, mesmo tendo pouquíssimas condições para isso. A vida foi passando e ela sarou, e pudemos ter uma vida mesmo com  dificuldades, mas muito feliz, sim naquele tempo pouca coisa nos fazia feliz. Ela nos ensinou a sermos unidos, a repartir sempre, ela nunca ficou sentada a mesa,   quando eu já era adulto e chegava em sua casa para visita-la, ia logo levantando e oferecendo algo para mim comer, mesmo agora nos seus últimos dias de vida, sempre dizia, abra o armário, abra a geladeira e lá tem coisas para vocês comerem, que coisa fantástica, quando vamos ouvir isso agora, NUNCA MAIS Tenho que parar de escrever, estou chorando, não é feio chorar, e eu que tinha prometido para mim mesmo para não chorar, mas não tem como. Sai lá fora da minha casa, o dia ainda não amanheceu, o céu está muito escuro, mas sei que ele está em festa, pois a Sra agora está lá, é certeza disso, ouço um sabiá cantar, procuro entender como ele tão indefeso, tão frágil e não deixa de cantar, foi Deus que criou os pássaros e as mães, isso eu não tenho dúvida nenhuma. Volto e continuo a escrever tentando aqui remexer o baú das lembranças,  sim lembrei; no dia do meu aniversário ela sempre me dava como presente um bolo de bolacha, aliás minha mãe era uma exímia cozinheira e mágica também, pois as grandes dificuldades que tivemos na vida, mesmo assim  ela conseguia produzir alimentos saborosíssimos, não consigo entender até hoje como fazia isso. Minha mãe me ensinou a repartir, sim repartir,  como dizia meu falecido e  querido pai, hoje isso  é MANGA DE COLETE, ela me ensinou a praticar o verbo PARTILHAR, é só a minha mãe tão simples, tão humilde, tão sofrida na infância, me ensinar uma sabedoria dos deuses, das pessoas que realmente passam pela terra e deixam marcas profundas de sabedoria. Passamos muitíssimos momentos felizes com ela, ela tocava gaitinha de boca, fecho os olhos e vejo isso agora, continuo sem entender como aprendeu isso, tentava me ensinar pelo menos a música PARABÉNS A VOCÊ  e eu não consegui aprender, pois eu tenho facilidade para tocar percussão. Lembro que uma época eu ainda morava com meus pais, fui tocar em uma banda no carnaval, e o desgaste foi tanto e quando  cheguei em casa desmaiei, minha mãe me encontrou caído e me levantou me recuperando com um assopro bem forte no rosto, coisas de mãe. Mais ou menos dez anos atrás minha mãe adoeceu novamente, minhas irmãs, a essas queridas e amadas minhas irmãs, que eu seria nesta vida sem o carinho delas, vejam só, eu era o único homem entre os quatro filhos que minha mãe trouxe ao mundo, que privilégio minha gente; elas cuidaram da minha mãe como se fosse um passarinho, pois ela ficou muito debilitada, mas recuperaram ela, vida que segue. Os anos se passaram, e ela já com oitenta e poucos anos, adoeceu novamente, e agora para não sarar mais, minhas irmãs cuidaram dela em todos os aspectos, ela ingeria muitos remédios, eu era, digamos assim a pessoa que cuidava da logística do grupo, uma irmã  cuidava da alimentação, outra da higiene, outra das finanças, e assim nós quatro cuidávamos dela, meu pai e a minha mãe nos ensinaram a HISTÓRIA DO FEIXE DE VARAS, a união faz a força. Perdi as contas as dezenas de vezes que levei ela aos médicos fora de nossa cidade, ela tinha pavor de viajar e é claro, de médicos e no final da sua vida  precisou tanto deles, e como ela foi bem tratada por todos os profissionais da saúde, pessoas essas, abençoadas por Deus. Trazendo a história para os dias atuais, minha mãe foi adoecendo cada vez mais, já com oitenta e oito anos, notávamos que mesmo com um esforço terrível não conseguia se locomover corretamente, tomava muitos medicamentos como já relatei, e isso era uma pauleira para minha irmã, minha mãe com a doença que acometeu, começou a perder a vontade de viver. Seis meses atrás perdeu o seu esposo, ai a coisa degringolou, mesmo sem expressar verbalmente os seus sentimentos, nós percebíamos que a perda do seu companheiro afetou muito a sua saúde,   não se alimentava direito, não caminhava, ficou na cama, mesmo assim fizemos tudo o que pudemos  para recuperar aquele corpo e sabíamos que não iriamos conseguir. Oitenta e  nove anos de luta, não é qualquer máquina que aguenta, mesmo assim olhávamos em seus olhinhos, os quais fitavam o infinito, que ela queria continuar vivendo. Quando internamos ela pela última vez, já dávamos apenas gotas de água em uma seringa, seu cérebro não comandava mais nem para engolir a água. Minha querida mãe enfim você partiu, foi para uma outra dimensão, foi para a vida eterna. Você foi um ícone para nós, minha esposa falou que quando ela também perdeu sua mãe, a Sra que passou a ser a mãe dela, que coisa maravilhosa isso, a Sra foi a mãe de todos nós, isso nunca nós iremos esquecer, eu tive a felicidade de poucos, em poder ter meu pai até os noventa e um anos e minha mãe até os oitenta e nove, seria muito egoísmo da minha parte querer que vocês vivessem mais, e por outro lado as enfermidade que acometeram vocês, não poderíamos exigir mais. Quero falar das pessoas que tiveram junto com nós nos últimos momentos de vida da minha mãe bem como todos os que lá estiveram no dia no seu guardamento, aqueles que mandaram mensagens pelo celular, os meus filhos que não mediram esforços, mesmo morando a milhares de quilômetros, vieram para dar o último adeus a vó Li. Quantos abraços, quantas palavras de conforto, quanta gente presente, não sabia que minha mãe e que nossa família era tão querida. Isso nos conforta, isso nos dá esperança de que o mundo pode e deve ser mais fraterno, mais humano, que não devemos nos envergonhar de nada, que devemos chorar, jamais encontrarei palavras para agradecer tudo isso, vocês todos foram demais. Sou cônscio de que aquelas pessoas que ali estiveram  era por nossa família, mas principalmente pela minha mãe, ela era naquele momento o centro das atenções por tudo que representou por tudo que semeou nesta terra, isso nós vamos reconhecer sempre, vamos ser sempre gratos. Dizia uma senhora ao me abraçar na hora em que levávamos minha mãe, para sua última morada, ESSA HORA DA DESPEDIDA FINAL DE CORPO PRESENTE É UMA DOR INDESCRITÍVEL A QUAL TODOS, SEM EXCEÇÃO TEREMOS QUE UM DIA PASSAR. Finalizando, precisamos acreditar, temos que acreditar e acreditamos, do pó viestes e ao pó voltarás, início, meio e fim, não morremos e sim  iremos para a vida eterna com o CRIADOR. Descanse em paz minha querida mãe, você agora não faz mais parte do nosso convívio material, vou te amar sempre, procurarei seguir cada vez os seus passos e ensinar aos meus filhos os seus ensinamentos e seus exemplos.  São seis horas e dezesseis minutos do dia vinte e seis de setembro de dois mil e dezessete, o dia já está amanhecendo, vida que segue, continuo chorando...

                

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Passagens que Ficaram só na Lembrança.

Olá amigos do meu blog.
Hoje escrevo sobre o que ainda me recordo dos meus tempos de guri. Sei que cada um de vocês tem muitas lembranças do tempo de infância, umas boas outras nem tantas, mas quem não tem lembrança porque não teve passado e posso afirmar com muita certeza de que nós fomos felizes naquela época.Quero que você faça as comparações do hoje e do ontem e comente.
Já passei dos 60 anos de idade, e relato aquilo que passei junto de minhas três irmãs e meus queridos pais e que graças a Deus são vivos e gozando de boa  saúde até os dias de hoje.
Meu pai  era funcionário público estadual, atualmente está aposentado,  trabalhou em um setor que era chamado de ASSOCIAÇÃO RURAL depois CASA RURAL, onde se  comercializavam produtos agrícola e veterinário. Um  homem muito trabalhador, honesto, muito enérgico, disciplinado e pontual.. Ele  além de vender, dígamos assim  os remédios para a criação como ele dizia, também prescrevia se baseando  muitas vezes no relato que o dono da criação fazia sobre as condições e comportamento dos animais. Eu me recordo muito bem, meu pai me levava para  ajuda-lo em pequenas tarefas no local de trabalho, eu  me sentava em uma bolsa ou um saco de semente de trigo e ficava vendo o meu pai atender a população que vinha do interior comprar os dito cujo remédios para a criação (vacina para aftosa, vacina para peste suína, carbúnculo hemático, sintomático, peste de cega), sim era assim que eles falavam, me recordo alguns remédios, hoje chamados de medicamentos; era o ganaseg,a  pantomicina, o pentabiótico, o lepecid, alguns venenos para a lavoura, que eram o cupravit, e o famoso e mortal BHC 12% que nós vendíamos a granel, não usávamos máscara nem luva, os chamados hoje EPIs., as carpideiras , as plantadeiras e adubadeiras  tração animal e as famosas enxadas marca jacaré, que saudades daqueles tempos em que eu ajudava meu pai, ficando no balcão quando ele precisa se ausentar para ir ao banco. Um episódio interessante que ocorreu foi  quando atendi um freguês como eram chamados os clientes naquela época, ele emitiu um cheque e esqueceu de assinar e quando meu pai retornou e viu aquilo, ainda bem que o freguês era sério e regularizou posteriormente o problema, eu lembro até hoje o nome dele.  Meu pai era um PRÁTICO RURAL ou seja, um veterinário sem diploma, mas ele acertava praticamente cem por cento dos casos e curava a criação daquele povo.Cansei de ver o meu pai muitas vezes levantar da mesa deixando nós e seu almoço por terminar num dia 25 de dezembro, para ir atender uma criação de um morador do interior, a qual já fazia dias que estava caída em uma valeta e o proprietário vinha para a missa do natal da cidade e aproveitava para consultar e levar o meu pai, e lá ia ele sem reclamar e franzir a testa e pasmem os senhores, NUNCA COBROU UM CENTAVO SEQUER DE NINGUÉM, trabalho exclusivamente voluntário. Meu pai cansou de castrar porcos, porcas, fazer partos em vacas enfim ele era um quase veterinário, só sinto não ter incentivado para que ele fizesse um curso superior na área, pois é, e por isso que quando vieram os doutores de diploma para a nossa cidade, simplesmente proibiram ele de continuar fazendo aquilo que mais gostava e a população era beneficiada com isso, coisas do mundo capitalista e ele continuou comercializando os tais produtos agrícolas e veterinário até a sua aposentadoria.  Bem, essas passagens se eu for contar todas que recordo vai longe, então volto a relatar sobre a minha infância. Nós somos em quatro irmãos, três femininas e um masculino, e como já disse, meu pai era funcionário público estadual, e vejam os Srs. até hoje, mais de sessenta anos do meu nascimento e eu não sei e nunca vi o quanto o meu pai recebe de salário, mas tenham a certeza não é muito. Pois é, nosso pai e nossa mãe nos criaram, nos educaram e muito bem por sinal, com uma remuneração que nós seus filhos não sabemos o quanto era. Nós comíamos carne uma vez por semana, comíamos feijão, arroz, pão feito no muque como dizíamos ou seja, amassado e sovado nas mãos e depois assado no forno de tijolo, a broa de centeio que era feita com produtos naturais, banha de porco, etc, e isso sustentava pra caramba,  passávamos banha e açúcar e quando tinha manteiga caseira com mel puríssimo. Íamos dormir cedo, deitávamos em um colchão de palha de milho, pois no outro dia tínhamos que levantar bem cedo para tratar a criação, tínhamos porcos, galinhas, vacas, cabritos, para o sustento de casa. No inverno, que naquela época era bem mais  rigoroso, tínhamos que ajudar a tirar o leite das vacas, me recordo com saudades,  levava minha caneca de alumínio com toddy (espécie de chocolate em pó) e o meu pai após lavar bem as úbres das vacas, tirava diretamente o leite   para a minha caneca, aquele leite quente, puríssimo e eu tomava aquilo com prazer e satisfação. Quero fazer um relato da minha vida como nós falava naquele tempo, VIDA DE LEITEIRO. Depois do meu pai tirar as vacas (ordenhar), eu levava o leite num  balde de alumínio devidamente limpo (higienizado) pela minha mãe, para dentro de casa, muitas vezes tropiquei e cai derramando quase tudo, levava uns puxões  de orelha   do meu pai, isso era bem normal. Lá dentro estava minha mãe esperando para engarrafar o leite, que era colocado nos litros de vidro devidamente limpos. Os litros vazios meu pai pegava  nos bares da cidade, litro de cinzano, capilé, conhaque, enfim as bebidas que vendiam na época, aí colocávamos os litros de molho em uma tina (tanque) de madeira, deixando-os por até vários dias para soltar o rótulo que era colado não sei com o que, era uma cola resistente. Após este prazo, removíamos os rótulos esfregando uma palha de aço (espécie de bombril grosso), removendo todo o papel e a cola. No seu interior colocávamos alguns grãos de  feijão cru, água e um pouco de cinza de fogão, chacoalhávamos até ao olharmos contra a luz e observássemos que ele estava totalmente limpo, secávamos no sol e aí sim estava pronto para receber o leite. Para retirar alguma impureza do leite, minha mãe coava   num paninho branquíssimo o qual era lavado com sabão de soda caustica feito em casa e após, deixado para branquear no anil e  através de um funil os litros eram enchidos (envasados manualmente um a um  e fechados com uma rolha de cortiça http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2013/09/rolha-e-o-produto-mais-famoso-feito-com-cortica-extraida-do-sobreiro.html, a qual era esculpida com uma faca dando o formado de um tampão que vedasse bem o leite no litro. A comercialização (entrega ao consumidor), naqueles tempos longínquos, já se praticava o tal "DELIVERY",   meu pai levava  grande parte dos litros em uma charrete, (tipo de transporte puxado por um cavalo), os quais iam acomodados numa espécie de caixa (engradado), confeccionado artesanalmente por ele, e lá  ia ele bem de madrugada para a cidade "entregar o leite diretamente na casa do consumidor"  e após,  ia para o trabalho, deixava o cavalo amarrado num poste de energia elétrica em frente ao seu  local de trabalho e retornava para casa só a noitinha. Lembro que o meu pai fazia uma rota de entrega e eu fazia outra. Minha tarefa era colocar de seis a oito litro de leite em uma espécie de mala de garupa feita de pano onde era vestida pela cabeça, os litros ficavam quatro nas costas e quatro no peito, eu seguia a pé  por aproximadamente 4 km até a cidade fazendo também a entrega do leite em várias casas e pasmem os amigos do meu blog,  teve freguês que até hoje não pagou o dito cujo leite entregue no sistema DELIVERY. Vejam só, a pessoa que hoje é minha esposa, naquela época também fazia este tipo de serviço parecido com o meu. Me orgulho muito de ter realizado este tipo de trabalho na minha infância, nem por isso deixei de ser criança, nem por isso fiquei traumatizado ou tive qualquer problema psicológico, continuo amando e admirando meus pais. Vejamos hoje, ninguém na sua infância pode executar qualquer tipo de tarefa, por mais leve e simples que seja. Claro que  sou contra o trabalho escravo, da exploração infantil, mas tem um velho ditado a boca se amolda de tanto fumar cachimbo ou, quem não sabe fazer não sabe mandar, o que se vê hoje, é uma sociedade sem lideranças, sem poder de criatividade, robotizada, totalmente dependente de aparelhos, a maioria não sabe somar dois mais um sem usar uma máquina calculadora, quanto mais fazer cálculos mais complexos. Hoje sou um homem realizado, feliz de ter vivido naquela época, de ter ajudado meus pais na dura caminhada de criar os seus  4 filhos com pouco recurso. Hoje todos nós somos casados, constituímos família, cursamos uma faculdade, quase todos os irmãos já criaram e também já formaram seus filhos, somos uma família unida, procuramos estar juntos em todos os bons e mal momentos, e este alicerce que nossos pais nos deixaram, é que  nós procuramos passar  para os nossos filhos. Somos cônscios de que precisamos melhorar ainda mais, no que tange a educação, participação voluntária na sociedade, e outras coisas mais, mas temos a consciência de que o  projeto de vida dos nossos pais deu certo. 
Naquele tempo nós tínhamos respeito e talvez medo dos nossos país. Sentávamos todos juntos à mesa para as três únicas refeições do dia, não podíamos interferir na conversa dos adultos, sempre pedíamos a benção aos nossos pais, pegando e beijando a sua mão direita ou sobrepondo nossas mãos uma sobre a outra dizendo: "a benção pai, a benção mãe, a benção madrinha e a benção padrinho", e eles respondiam, DEUS TE ABENÇOE MEU FILHO.Íamos dormir muito cedo, não tinha televisão, só um velho rádio o qual funcionava através de um acumulador (veja matéria neste blog). Rezávamos o Pai Nosso, Creio em Deus, Ave Maria, cantávamos nas escolas os hinos nacional, estadual e o municipal, levantávamos da carteira para receber a diretora da escola quando ela adentrava em nossa sala de aula,.enfim respeito, educação, cordialidade, limites a esses limites, bem. Finalizo, pois nas próximas postagens falarei sobre a escola, esporte, minha vida profissional, social, escoteiro, exercito, Rotary, conjunto musical e é claro meus hobbies,  etc.
Até.....